quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Como As Creches E As Pré-escolas Sugiram No Brasil


 

   A história das creches e pré-escolas no Brasil está diretamente ligada às transformações sociais, econômicas e culturais do país. 

  De acordo com a Coleção Proinfância, do Ministério da Educação (MEC), compreender esse percurso é essencial para reconhecer a Educação Infantil como um direito da criança e um dever do Estado, superando visões assistencialistas que marcaram seu surgimento.

   No Brasil, as primeiras instituições voltadas ao atendimento de crianças pequenas surgiram no final do século XIX e início do século XX. 

  Nesse período, as creches tinham um caráter predominantemente assistencial, voltado ao cuidado dos filhos de mulheres pobres que precisavam trabalhar, especialmente nas áreas urbanas em processo de industrialização. O foco estava mais na guarda, higiene e alimentação das crianças do que em propostas educativas.

   As pré-escolas, por sua vez, surgiram com uma finalidade distinta. Influenciadas por modelos europeus, como os jardins de infância, tinham como objetivo preparar as crianças para o ingresso no ensino primário. 

   Esse atendimento era, em geral, destinado às crianças das classes sociais mais favorecidas, reforçando desigualdades no acesso à educação desde a primeira infância.

   Segundo a Coleção Proinfância, durante muito tempo houve uma separação entre cuidar e educar, o que resultou em práticas fragmentadas. Enquanto as creches cuidavam do corpo, as pré-escolas se ocupavam da aprendizagem formal, desconsiderando o desenvolvimento integral da criança.

   Essa divisão começou a ser questionada a partir da segunda metade do século XX, com o avanço de estudos sobre a infância e o desenvolvimento infantil.

  Um marco importante na mudança dessa concepção foi a Constituição Federal de 1988, que reconheceu a Educação Infantil como um direito de todas as crianças de zero a seis anos e um dever do Estado. 

   Posteriormente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/1996) consolidou a Educação Infantil como a primeira etapa da Educação Básica, integrando creches e pré-escolas ao sistema educacional.

   A partir desse reconhecimento legal, o papel das instituições de Educação Infantil passou por uma profunda transformação. 

  Conforme orienta o Proinfância, creches e pré-escolas deixam de ser apenas espaços de assistência para se tornarem ambientes educativos, que promovem o desenvolvimento físico, emocional, social, cultural e cognitivo das crianças.

   A Coleção Proinfância, criada pelo MEC, surge justamente para apoiar os municípios na construção e organização desses espaços, tanto do ponto de vista arquitetônico quanto pedagógico. 

  Ela reafirma a indissociabilidade entre cuidar e educar, defendendo práticas baseadas nas interações, nas brincadeiras e no respeito às especificidades da infância.

   Outro aspecto destacado é a valorização da criança como sujeito histórico e de direitos, que participa ativamente das experiências vividas na creche e na pré-escola.

  Assim, essas instituições passam a ser compreendidas como espaços coletivos de convivência, aprendizagem e construção de cidadania desde a infância.

   Ao longo do tempo, a expansão das creches e pré-escolas no Brasil também esteve relacionada às lutas sociais, especialmente dos movimentos de mulheres e de educadores, que reivindicaram o acesso à educação infantil de qualidade para todas as crianças.

   Essas conquistas reforçam o entendimento de que a Educação Infantil não é um favor, mas um direito fundamental.

  Portanto, compreender como surgiram as creches e pré-escolas no Brasil, à luz da Coleção Proinfância do MEC, é reconhecer um percurso marcado por desafios, avanços e conquistas. 

 Hoje, essas instituições representam um compromisso com o desenvolvimento integral da criança e com a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva, que começa a se formar desde os primeiros anos de vida.

  Espero que tenha gostado do nosso estudo de hoje. Abraços e até a próxima!😉

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