Falar em criança cidadã é reconhecer a criança como sujeito de direitos, protagonista de sua história e participante ativa da vida social desde a primeira infância.
Esse entendimento está no centro das concepções defendidas pela Coleção Proinfância, do Ministério da Educação (MEC), que orienta as práticas pedagógicas na Educação Infantil pública brasileira, valorizando o desenvolvimento integral, a escuta sensível e a participação das crianças nos diferentes contextos educativos.
A ideia de cidadania, quando aplicada à infância, vai além de preparar a criança para o futuro. Trata-se de garantir que ela viva plenamente sua condição de cidadã no presente, exercendo direitos, expressando opiniões, construindo vínculos e aprendendo a conviver com o outro.
Segundo os princípios do Proinfância, a criança não é um “vir a ser”, mas um ser humano completo, com saberes, culturas, sentimentos e formas próprias de compreender o mundo.
Nesse sentido, a Educação Infantil assume um papel fundamental na formação cidadã. As instituições de educação infantil — creches e pré-escolas — são espaços coletivos onde as crianças aprendem a compartilhar, dialogar, respeitar diferenças e participar de decisões cotidianas.
Desde escolhas simples, como brincadeiras e materiais, até a construção de regras de convivência, a criança é incentivada a participar ativamente do ambiente em que vive.
A Coleção Proinfância destaca que a prática pedagógica deve estar baseada em interações e brincadeiras, e é justamente nesses momentos que a cidadania se constrói.
Ao brincar, a criança experimenta papéis sociais, resolve conflitos, negocia regras e expressa emoções. Essas experiências fortalecem a autonomia, a empatia e o senso de pertencimento — valores essenciais para a formação de cidadãos conscientes e solidários.
Outro aspecto central é o respeito à diversidade. A criança cidadã é aquela que aprende, desde cedo, que o mundo é plural.
As orientações do MEC reforçam a importância de valorizar as diferentes culturas, histórias familiares, identidades étnico-raciais, de gênero e modos de viver. Quando a escola reconhece e acolhe essas diferenças, contribui para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.
A escuta da criança também é um princípio fundamental. Considerar suas falas, gestos, curiosidades e hipóteses sobre o mundo é uma forma concreta de exercício da cidadania.
O educador, nesse contexto, atua como mediador, criando oportunidades para que as crianças se expressem e participem, sem impor respostas prontas, mas estimulando o pensamento crítico e a curiosidade.
Além disso, o Proinfância reforça que o cuidado e a educação são indissociáveis. Garantir alimentação adequada, segurança, afeto e bem-estar também é um ato de cidadania.
Quando a criança se sente protegida e respeitada, ela desenvolve confiança para explorar o mundo e se relacionar com os outros de forma saudável.
Formar a criança cidadã é, portanto, um compromisso coletivo que envolve educadores, famílias, gestores e políticas públicas.
A Coleção Proinfância nos lembra que investir na infância é investir na democracia, pois crianças que vivem experiências de participação, respeito e diálogo tendem a se tornar adultos mais conscientes de seus direitos e deveres.