A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reafirma a Educação Infantil como a primeira etapa da Educação Básica e reconhece a criança como sujeito ativo na construção do conhecimento.
Entre os cinco campos de experiências apresentados pelo documento, “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações” convida educadores a ampliarem o olhar sobre como as crianças exploram o mundo físico, social e natural desde muito cedo.
Esse campo de experiências está diretamente relacionado ao desenvolvimento do pensamento lógico, científico e matemático, mas de forma integrada às vivências e às brincadeiras.
Na Educação Infantil, aprender sobre espaço, tempo e quantidade não significa realizar atividades mecânicas ou antecipar conteúdos do Ensino Fundamental.
Significa oferecer situações concretas, significativas e contextualizadas, nas quais a criança possa observar, experimentar, comparar, levantar hipóteses e descobrir relações.
O conceito de espaço começa a ser construído quando a criança se desloca, explora o ambiente, identifica perto e longe, dentro e fora, em cima e embaixo.
Brincadeiras no pátio, circuitos motores, organização da sala e exploração de diferentes ambientes da escola são oportunidades ricas para essa aprendizagem. Ao organizar brinquedos, montar blocos ou construir com sucata, a criança também desenvolve noções espaciais e aprende a resolver problemas.
O tempo, por sua vez, é percebido nas rotinas e nas experiências cotidianas. A organização do dia — hora da chegada, do lanche, da brincadeira, da história — ajuda a criança a compreender sequências e antecipar acontecimentos.
Conversas sobre o que aconteceu ontem, o que acontecerá amanhã ou sobre mudanças nas estações do ano contribuem para a construção da noção temporal. Essas experiências fortalecem a memória, a organização do pensamento e a compreensão de processos.
Quando falamos em quantidades, estamos nos referindo às primeiras noções matemáticas que surgem nas interações diárias.
Contar colegas na roda, distribuir materiais, comparar quem tem mais ou menos brinquedos, medir ingredientes em uma receita simples: todas essas situações são oportunidades de aprendizagem. A matemática, nesse contexto, aparece de forma natural e significativa, vinculada às necessidades reais da criança.
As relações também ocupam papel central nesse campo de experiências. Ao comparar tamanhos, pesos, cores e formas, a criança estabelece critérios e organiza informações.
Ao observar diferenças e semelhanças entre objetos, animais ou plantas, amplia sua capacidade de classificação e análise. Essas habilidades são fundamentais para o desenvolvimento do raciocínio lógico e científico.
Já as transformações dizem respeito às mudanças que ocorrem na natureza e nos objetos.
Observar o crescimento de uma planta, perceber a transformação dos alimentos ao cozinhar, notar como a água muda de estado físico ou como o clima varia ao longo do ano são experiências que despertam curiosidade e espírito investigativo.
A criança aprende que o mundo está em constante movimento e que os fenômenos têm causas e consequências.
O papel do professor é essencial nesse processo. Cabe a ele planejar situações desafiadoras, propor perguntas instigantes e valorizar as hipóteses das crianças.
Mais do que oferecer respostas prontas, é importante incentivar a investigação e o diálogo. Registrar descobertas por meio de desenhos, fotos ou relatos também contribui para tornar a aprendizagem mais significativa.
Além disso, a organização dos espaços e dos materiais faz toda a diferença. Ambientes diversificados, com elementos naturais, blocos de construção, jogos de encaixe, materiais de medição e recursos variados estimulam a exploração e a experimentação.
A intencionalidade pedagógica transforma situações cotidianas em oportunidades de aprendizagem.
Em síntese, o campo “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações” reforça que a Educação Infantil deve promover experiências investigativas, lúdicas e contextualizadas.
Ao explorar o mundo com curiosidade e autonomia, a criança constrói conhecimentos fundamentais para sua formação integral. Mais do que antecipar conteúdos formais, a BNCC propõe respeitar o ritmo da infância, valorizando a descoberta, a experimentação e o encantamento diante das transformações do mundo.
Abraços e até nosso próximo estudo!😉