Na Educação Infantil, a ação pedagógica vai muito além de “ensinar conteúdos”. Na coleção PROINFANTIL, especificamente na seção “A ação pedagógica como promotora do educar e do cuidar”, é ressaltado que o cuidado e a educação não são esferas separadas — são partes integradas de uma prática pedagógica que respeita a singularidade da infância.
O texto nos convida a refletir: qual o papel do(a) educador(a) na construção de ambientes, rotinas e interações que, ao mesmo tempo, acolham a criança (cuidar) e promovam o seu desenvolvimento e aprendizagem (educar)? A concepção assumida é clara: cuidar-educar como “par inseparável” que deve permear a organização do trabalho pedagógico.
Cuidar e educar: inseparáveis
Ação pedagógica intencional
Implicações para a organização do trabalho pedagógico
Dessa perspectiva, algumas implicações práticas se destacam:
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A rotina deve ser pensada de modo que os momentos de cuidado permitam aprendizagem e, ao mesmo tempo, segurança e vínculo. Por exemplo: acolhida que permite interação, conversa, estabelecimento de confiança; transições que respeitem o ritmo da criança; momentos de descanso que considerem o corpo e a mente.
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O espaço e os materiais precisam possibilitar tanto a exploração, a brincadeira, a interação simbólica, quanto o momento de cuidado (relaxamento, higiene, refeição) de forma integrada.
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As interações — entre adultos e crianças, entre crianças — são centrais. O educador ou educadora precisa intervir com sensibilidade no momento do cuidado (como troca de fraldas, alimentação, higiene) reconhecendo que é também momento de aprendizagem, de linguagem, de vínculo.
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O registro/reflexão sobre as práticas (documentação pedagógica) é importante: para entender como está sendo o vínculo entre cuidado e educação, quais as respostas das crianças, como as práticas são ajustadas.
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A relação com família e comunidade também se insere nessa lógica: porque o cuidar-educar não se restringe ao “dentro da sala”: considera as condições socioculturais da criança, sua história, sua família, seus saberes.
Por que essa articulação é importante?
Porque adotar a visão educativa de cuidar e educar garante que a infância seja respeitada como etapa própria, com características distintas das etapas posteriores.
A visão de criança-sujeito exige que as práticas não se limitem a “preparar para a escola”, mas promovam experiências de aprendizagem, interação, descoberta, vínculo, brincadeira e autonomia.
A concepção de cuidado-educar afirma que “cuidar não é apenas atender às necessidades fisiológicas, mas favorecer o desenvolvimento, o bem-estar, o movimento, a linguagem, a socialização”.
Em conclusão
A ação pedagógica, quando estruturada sob a ótica do cuidar e do educar, demanda uma organização do trabalho pedagógico que seja reflexiva, intencional e integrada.
A coleção PROINFANTIL nos relembra que educar é cuidar e cuidar é educar em contextos de Educação Infantil — e que essa articulação não é opcional, mas constitutiva de uma prática de qualidade.
Ao considerar essa dupla dimensão, podemos repensar rotinas, espaços, interações e materiais de modo mais coerente com a infância que desejamos.
Espero que tenha gostado do nosso estudo de hoje. Abraços e até a próxima!😉
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