sábado, 1 de novembro de 2025

A Ação Pedagógica Como Promotora Do Educar E Do Cuidar



   Na Educação Infantil, a ação pedagógica vai muito além de “ensinar conteúdos”. Na coleção PROINFANTIL, especificamente na seção “A ação pedagógica como promotora do educar e do cuidar”, é ressaltado que o cuidado e a educação não são esferas separadas — são partes integradas de uma prática pedagógica que respeita a singularidade da infância. 

   O texto nos convida a refletir: qual o papel do(a) educador(a) na construção de ambientes, rotinas e interações que, ao mesmo tempo, acolham a criança (cuidar) e promovam o seu desenvolvimento e aprendizagem (educar)? A concepção assumida é clara: cuidar-educar como “par inseparável” que deve permear a organização do trabalho pedagógico. 

Cuidar e educar: inseparáveis

   A partir do material PROINFANTIL, observa-se que, para crianças de 0 a 6 anos, as ações voltadas para o cuidado (alimento, higiene, descanso, segurança afetiva) são igualmente educativas: promovem padrões de interação, autonomia, vínculo, comunicação, confiança. A ação de educar não pode ignorar essa dimensão do cuidado. 
 
   Por exemplo, quando o(a) educador(a) organiza uma roda de conversa ou brincadeira, ele ou ela não está apenas “ensinando” algo, mas promovendo que a criança se reconheça, interaja, experimente, expresse-se — e isso exige que ela se sinta cuidada, segura, respeitada.

  Assim, a rotina de cuidado (hora de comer, dormir, higiene) torna-se uma oportunidade de aprendizagem — de linguagem, socialização, movimento, autonomia.

Ação pedagógica intencional

 O material enfatiza que organizar o trabalho pedagógico exige intencionalidade: não basta “acompanhar” a rotina; é preciso integrá-la com objetivos educativos. 

   O objetivo é “desenvolver estratégias que envolvam os vários aspectos da organização do trabalho de cuidar-educar crianças, integrando as ações da rotina de funcionamento numa perspectiva pedagógica.” 

   Isso significa que a equipe pedagógica precisa refletir: como a rotina se articula com brincadeiras, com descobertas, com interações significativas? Qual o papel do ambiente, dos materiais, das transições, das interações adulto-criança e criança‐criança para que o cuidar e o educar se articulem?

   E ainda: como essas escolhas favorecem a autonomia da criança, seu senso de pertencimento, sua capacidade de expressão e ação? O cuidado-educar exige olhar para a integralidade da criança: físico, psíquico, social, afetivo, cultural. 

Implicações para a organização do trabalho pedagógico

Dessa perspectiva, algumas implicações práticas se destacam:

  • A rotina deve ser pensada de modo que os momentos de cuidado permitam aprendizagem e, ao mesmo tempo, segurança e vínculo. Por exemplo: acolhida que permite interação, conversa, estabelecimento de confiança; transições que respeitem o ritmo da criança; momentos de descanso que considerem o corpo e a mente.

  • O espaço e os materiais precisam possibilitar tanto a exploração, a brincadeira, a interação simbólica, quanto o momento de cuidado (relaxamento, higiene, refeição) de forma integrada.

  • As interações — entre adultos e crianças, entre crianças — são centrais. O educador ou educadora precisa intervir com sensibilidade no momento do cuidado (como troca de fraldas, alimentação, higiene) reconhecendo que é também momento de aprendizagem, de linguagem, de vínculo.

  • O registro/reflexão sobre as práticas (documentação pedagógica) é importante: para entender como está sendo o vínculo entre cuidado e educação, quais as respostas das crianças, como as práticas são ajustadas.

  • A relação com família e comunidade também se insere nessa lógica: porque o cuidar-educar não se restringe ao “dentro da sala”: considera as condições socioculturais da criança, sua história, sua família, seus saberes.

Por que essa articulação é importante?

   Porque adotar a visão educativa de cuidar e educar garante que a infância seja respeitada como etapa própria, com características distintas das etapas posteriores. 

  A visão de criança-sujeito exige que as práticas não se limitem a “preparar para a escola”, mas promovam experiências de aprendizagem, interação, descoberta, vínculo, brincadeira e autonomia. 

   A concepção de cuidado-educar afirma que “cuidar não é apenas atender às necessidades fisiológicas, mas favorecer o desenvolvimento, o bem-estar, o movimento, a linguagem, a socialização”. 

Em conclusão

   A ação pedagógica, quando estruturada sob a ótica do cuidar e do educar, demanda uma organização do trabalho pedagógico que seja reflexiva, intencional e integrada.

  A coleção PROINFANTIL nos relembra que educar é cuidar e cuidar é educar em contextos de Educação Infantil — e que essa articulação não é opcional, mas constitutiva de uma prática de qualidade. 

  Ao considerar essa dupla dimensão, podemos repensar rotinas, espaços, interações e materiais de modo mais coerente com a infância que desejamos.

 Espero que tenha gostado do nosso estudo de hoje. Abraços e até a próxima!😉


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